Abin: upps do rio impulsionaram expansão nacional do comando vermelho

A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro pode ter servido como um catalisador para a expansão do Comando Vermelho (CV) para outros estados do país. A avaliação foi apresentada pelo Coordenador-Geral de Análise de Conjuntura Nacional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Pedro de Souza Mesquita.

Durante uma audiência na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, Mesquita argumentou que a chegada das UPPs em determinadas áreas forçou a liderança do CV a buscar refúgio fora do Rio de Janeiro, o que, consequentemente, resultou em uma dispersão geográfica da facção. “A fagulha desse processo é uma externalidade negativa do próprio projeto de UPP”, afirmou o coordenador.

Segundo a Abin, a migração dos líderes do CV para outras regiões impulsionou a busca por novas áreas de atuação, especialmente nas fronteiras do Norte do país. Esse movimento teria possibilitado a organização e o planejamento de um eventual retorno ao Rio de Janeiro. De acordo com Mesquita, esse processo teve início em 2013 e atingiu seu ponto alto no ano anterior.

Em 2024, o CV já demonstrava atuação em estados como Tocantins, Pará, Rondônia e Santa Catarina, além do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, essa expansão se intensificou. Atualmente, a facção está presente em quase todos os estados da região Norte, com exceção de Roraima e Amapá. A presença do Comando Vermelho também é notável em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de outros.

A expansão do CV foi facilitada pela aliança com grupos criminosos locais que enfrentavam a crescente influência do Primeiro Comando da Capital (PCC). O Comando Vermelho teria oferecido a esses grupos acesso a uma rede logística para armas e drogas, com uma estrutura de comando mais descentralizada do que a do PCC.

Enquanto o CV expande sua influência nacionalmente, o PCC tem intensificado sua atuação em outros países. Investigações da Abin indicam que essa expansão internacional do PCC tem ocorrido desde 2016. Em 2018, a facção convocou membros que falavam espanhol para atuar em outros países. Naquele ano, o PCC estava presente em 11 países, com cerca de mil membros. Atualmente, a organização criminosa está em 28 países, com mais de 2 mil membros.

Procurado, o governo do Rio de Janeiro argumentou que a expansão nacional do Comando Vermelho “não pode ser atribuída exclusivamente” às UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança Pública reconheceu que o projeto se concentrou na ocupação territorial, sem o acompanhamento de políticas públicas integradas, o que comprometeu sua sustentabilidade a longo prazo. O governo estadual reconheceu ainda que a divulgação das ações das UPPs e a pressão sobre áreas controladas pelo tráfico podem ter contribuído para a dispersão de criminosos para outros estados, auxiliando na expansão do Comando Vermelho. A Secretaria reforçou a necessidade de união entre os governos federal, estadual e municipal no combate ao narcotráfico.


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