Tornados, como o que assolou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, são eventos atmosféricos localizados e de curta duração, o que dificulta a sua previsão. Segundo um meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esses fenômenos se originam no interior de nuvens de tempestade, causando destruição ao atingir o solo.
A formação de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul desencadeou uma frente fria no Paraná, gerando chuvas intensas, tempestades de raios, queda de granizo e a possibilidade de formação de tornados.
“É um fenômeno bem intenso, mas de curta duração, que a gente sabe que pode ocorrer dentro de uma frente fria, mas a gente não tem como fazer previsão porque ele é bem localizado”, acrescenta o meteorologista do Inmet.
Em Rio Bonito do Iguaçu, a nuvem que originou o tornado foi classificada como “supercélula” pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Os ventos ultrapassaram os 250 km/h, classificando o tornado como F3 na escala Fujita, indicando danos severos.
A formação de tornados pode ser favorecida por características como a presença de ar quente próximo ao solo e mudanças rápidas na direção ou velocidade do vento. Mesmo em locais com sistemas de alerta, a previsão raramente ultrapassa 15 minutos de antecedência.
Embora pareçam raros no Brasil, os tornados não são incomuns. A Região Sul do país, juntamente com Argentina e Paraguai, apresenta uma das maiores incidências na América do Sul, conforme uma pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Instituto Serrapilheira.
“Esse fenômeno é relativamente frequente, mas suas consequências ficam mais evidentes quando atingem áreas povoadas. É mais comum no período de transição entre a primavera e o verão”, disse a pesquisadora.
Apesar da ocorrência após a formação de um ciclone extratropical, os dois fenômenos são distintos e nem sempre ocorrem simultaneamente.
Tornados são fenômenos de pequena extensão, variando de dezenas a centenas de metros, com duração de segundos a minutos. Ciclones atmosféricos, por outro lado, são fenômenos de grande escala, afetando vastas áreas por alguns dias, cobrindo de centenas a milhares de quilômetros.
O ciclone que ainda age na costa das regiões Sul e Sudeste é considerado extratropical, formado por massas de ar quente e fria, o que provocou o deslocamento de uma frente fria, levando chuvas intensas para diversas regiões.

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