Após mais de uma década de declínio, o Brasil apresentou um crescimento no número de trabalhadores sindicalizados em 2024. Um acréscimo de 812 mil pessoas elevou o contingente total para 9,1 milhões, representando 8,9% dos 101,3 milhões de trabalhadores ocupados no país.
Embora represente um avanço de 9,8% em relação aos 8,3 milhões de sindicalizados em 2023, o número ainda está significativamente abaixo dos 14,4 milhões registrados em 2012, marcando uma queda de 36,8% em 12 anos.
A pesquisa aponta que, em 2012, os sindicalizados representavam 16,1% dos trabalhadores ocupados, percentual que vinha caindo consistentemente até atingir o ponto mais baixo em 2023 (8,4%).
Analisando a trajetória, um especialista observa uma forte correlação entre a reforma trabalhista de 2017 e a acentuada queda no número de sindicalizados. A reforma introduziu mudanças significativas, incluindo o fim da contribuição sindical obrigatória.
No entanto, o aumento entre 2023 e 2024 pode indicar uma recuperação na percepção dos trabalhadores sobre a importância dos sindicatos na defesa de seus direitos.
O levantamento revela que a maioria dos novos sindicalizados em 2024 (oito em cada dez) tem 30 anos ou mais, com destaque para a faixa etária de 40 a 49 anos, que representa 32% do total. A participação de jovens é bem menor: apenas 0,7% dos novos sindicalizados têm entre 14 e 19 anos, e a taxa de sindicalização nessa faixa etária é de apenas 1,6%.
Em relação aos setores de atividade, a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais concentram a maior parte dos sindicalizados (30,9%), com uma taxa de associação de 15,5%. Em seguida, destacam-se a indústria (16,4%) e o setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (13,3%).
A pesquisa também mostra que trabalhadores com nível superior completo têm maior taxa de sindicalização (14,2%) em comparação com a média nacional (8,9%). Além disso, empregados no setor público apresentam uma taxa de sindicalização de 18,9%, mais que o dobro da média nacional, seguidos pelos empregados com carteira assinada (11,2%).
Embora a diferença entre homens e mulheres no universo sindical tenha diminuído ao longo dos anos, os homens ainda representam a maioria dos sindicalizados (57,6% em 2024).
Paralelamente, o estudo aponta para uma trajetória de queda no número de empregadores ou trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, atingindo o menor patamar da série histórica em 2024 (1,3 milhão de pessoas).

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